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20/03/14

De volta

O blogue já nasceu há algum tempo, nasceu em cima de uma bicicleta.
Não uma dessas que podem ir até onde houver força para pedalar e a vontade pedir, dessas que podem subir montanhas e descer ladeiras a pique numa corrida desenfreada de dar gosto e a volta à barriga.
Não, a nossa bicicleta não é dessas, mas sim uma máquina ergométrica, usada em fisioterapia ou fitness, de pés bem assentes no chão, não nos vá dar ganas de sair pela janela fora pedalando sem parar.

Na hora de escolher o nome para baptizar o espaço e, atendendo a que, aqui em casa, quando as cabecinhas se juntam a pensar, por vezes até conseguem pensar mais e melhor - ou pelo menos é assim que gostamos de acreditar - decidimos em conjunto, depois de considerarmos que seria interessante juntar a filosofia de porta de botequim a que me propunha, àquela que lhe serviu de mote: a bicicleta, daí resultando o filosofando em cima da bicicleta.

Porém, o tempo passou.

A bicicleta tinha os pés bem assentes no chão, mas talvez os meus não estivessem tão firmes.
Sofre-se rasteiras e dá-se de fuças no chão.
Mas quando se cai, há que levantar.
Aliás, é a cair que se aprende a levantar, como bem diz Mafalda veiga:

«...é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser  restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração»

A vida mudou.
Impõe-se que mudemos também.

Vai daí:
 vida nova  ► gente nova  ► blogue de cara nova e bem lavadinha, que é o que se quer.

isso tudo pede
nome novo

Um nome que passe boas energias, que é o que se precisa.

Para falar a verdade, há muita coisa que me dá energia. Mas o sol, esse sol maravilhoso que me aquece a pele, que me revigora a alma, que me traz a vontade de espreguiçar e por o pé porta fora e caminhar como se estivesse lado a lado com ele, como velhos amigos, é o meu melhor energizante e o que me faz renascer a cada dia.


Talvez a pretensão seja muita, mas o que eu quero mesmo é seguir no lado do caminho em que o sol brilhar.
Sempre! Do lado do sol.





P.S.: A bicicleta, essa ainda cá está e continua necessária para as pedaladas.


28/03/10

Como é que se começa a filosofar em cima de uma bicicleta


https://pixabay.com/pt/photos/?image_type=&cat=&min_width=&min_height=&q=bicicleta%2C+praia&order=popular

O que se passa é que, por questões de saúde, tornei-me na feliz adquirente de uma dessas bicicletas ditas ‘de manutenção’: toda incrementada, electrónica, painel digital e o escambau. A dita é tão cheia de tremiloques e mais berloques, nem sei para quê, já que considero os dois únicos programas de que faço uso mais do que suficientes para suprir as necessidades de qualquer mortal. Os fisioterapeutas preferem chamar-lhe ‘máquina’, embora eu, ignorante criatura, continue a chamar-lhe ‘bicicleta’. Porque, para além de tudo, esta é minha e bem minha, que a paguei bem paga! Assim, sigo a chamar-lhe o que me apetecer.


Comprei-a em respeito ao acordo que fiz com a Senhora Doutora Fisiatra para complementar uma série de outros exercícios que me comprometi a fazer no conforto de casa. Isto para conseguir que a Senhora Doutora assinasse a alta médica e eu pudesse ir trabalhar. Não que eu estivesse a morrer de saudades do meu querido posto de trabalho, mas é com ele que eu ganho o meu pão, o leite, e mais umas coisitas. Daí, inquietar-me a ideia de o por em risco, porque isto de andar na Fisioterapia gastava-me quase metade do dia e não tenho conhecimento de patrão que veja com olhos redentores esse tipo de situação…
Lá comprei então, a dita bicicleta. E, do surgimento da bicicleta aos ensejos à filosofia, foi um passo.
Todos os dias a pedalar durante 20 minutos em marcha lenta…


Pedala, que pedala…


Chega a uma hora em que o pensamento começa a pedalar mais do que as pernas e, até ganha asas e voa… Voa até tempos antigos, a reviver histórias já vividas.
Depois de algumas semanas a pedalar, dei conta de que havia passado a hábito, ao fim dos exercícios, me por a rascunhar o que viera à cabeça enquanto dava ao pedal. E aí, foi um acumular de folhas soltas. Algumas, às vezes, cheias de gatafunhos rabiscados na ânsia de registar os pensamentos, antes que esses me fugissem da lembrança. O que levava a que, no dia seguinte, eu própria visse-me grega para os decifrar! E, às vezes, nem grega conseguia entender o que havia escrito!


O passo seguinte foi idealizar um espaço onde eu pudesse organizar e até partilhar essas coisas que chegam à lembrança, saídas da alma, explodindo do coração e, muitas vezes, abafadas dentro da boca… Pois a quem nunca aconteceu, ficar por dizer: ‘isto’ e obrigar-se a calar ‘aquilo’?

Eu queria, então, um espaço onde pudesse dizer ‘isto’ e ‘aquilo’ e, quem sabe, ainda algo mais…