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13/04/15

Bendito ósculo!



Decididamente, hoje em dia, há "dia" para comemorar, promover ou simplesmente assinalar tudo de que o homem, bicho muito criativo, vai se lembrando. E mesmo o que, por algum esquecimento, ainda não é comemorado oficialmente, mais dia, menos dia, há-de ocorrer a alguém marcar no calendário.

Hoje, sou surpreendida com o “Dia do Beijo”.

Pergunto-me: quem lembrar-se-ia de criar este dia?
Seria, de facto, alguém que a se dar conta do quão essencial é o beijo, resolvesse tomar as rédeas da situação escabrosa que é ter um mundo "desbeijado" e decidisse, a bem da justiça, usar um dia para promover o ósculo e proporcionar ao povo carente, o pretexto perfeito para fazer uso dos lábios que Deus deu, que, por sua própria anatomia, não teriam, decerto, finalidade mais premente que o beijar...

Seja por que razão, esta é daquelas coisas que, decididamente, não podem ser "lembradas" apenas nas datas comemorativas: há que usar e abusar!

E nem precisamos de estudos a nos dizer que o beijo dá mais saúde, contraria o stress e faz bem à pele e a isto e àquilo também, se todos os que já beijamos, sabemos bem que o beijo é bom, é gostoso, desperta os sentidos e é de graça, meu povo!
Por isso: beijem e deixem beijar.

Melhor remédio: beijo.
Beijo de namorado; de marido; de esposa; de filho; de amigo; de mãe; de tia...
Todo beijo, cada um dum jeito, quando sincero, é bom demais.
E o melhor beijo é aquele a que não falta o abraço. Porque beijo sem abraço, é como queijo sem marmelada: é bom, mas não é completo...


16/02/15

Que seja agora


Sei que o tempo te fez desesperar,
pois que a espera foi longa,
bem sei.
Mas vem,
que ainda estou aqui...
Meu corpo que te pareceu um dia
arrefecido...
Afinal enganou-se,
enganou-me a mim e também a ti!
A frieza que se fez sentir,
era do frio que chegara do Norte
e que ele sentia
regelar-lhe a alma.
Frio aquele, que não conhecia,
frio de que não ouvira falar,
frio que o assustou,
e afastou-te, a ti.
Mas vem,
vem mesmo assim.
Não temas.
O calor da brasa que reacende
mais forte que nunca,
sai deste corpo
cansado,
mas intrépido.
Vem, que se faz tarde.
Vem, e que seja agora!

07/02/15

A efemeridade dos deuses

De há uns anos para cá, tem este pensamento me perturbado a quietude da alma, porque, como é natural que seja, quando se é mais jovem e com a mente esverdeada focada nas descobertas dos atractivos da vida, é justo que não haja tempo de sobra para constatações acerca da efemeridade da vida e da decadência que a passagem do tempo dita.
Mas com o passar dos anos, a vida nos vai confrontando com o envelhecimento e com o declínio físico, que, se não é regra, atinge, no entanto, muitas das pessoas que endeusamos e que tínhamos como pressuposto, serem eternas e aprumadas, mantendo força e altivez intactas. Parece assim impossível, a nossos olhos, chegar um dia a constatar nesses nossos falsos deuses uma debilidade e um arqueamento do corpo directamente proporcional à vontade de contrariar o peso do tempo.
Nos últimos anos tenho sido confrontada, de forma recorrente, com esta degradação física e consequentemente emocional, de pessoas que um dia foram deuses, seres imponentes, donos das suas vidas, senhores da situação e de seus corpos, de seus próprios passos e orientadores dos passos dos seus queridos.
E esse envelhecimento do corpo não se prende apenas à idade, posto que, se há pessoas com idade bem avançada e autónomas, outras há, que cedo, por n circunstâncias, perdem seu vigor.

Perturba-me um pai que cede o comando de seus passos à atenção e cuidado do filho, que por ele, pai, contorna obstáculos, tal como um dia, ele, pai, o encaminhou pelos caminhos mais seguros para que não corresse risco de tropeçar.
Abala-me as estruturas, já de si oscilantes, presenciar um filho a segurar na sua mão a mão insegura do seu pai. A mão do filho a apoiar toda a vida guardada naquele homem que hoje é uma amostra mirrada do gigante que foi um dia.
Emociona-me o filho que segue a estender sua mão a todos os cantos e pisos que podem atraiçoar os pés cambaleantes do pai, adaptando sua casa, adaptando sua vida para que não haja quinas onde o pai se magoe, nem tapetes onde tropece, nem corrimão que falhe quando ele precisar se agarrar, nem banco que falte na pressa de assento para tomar fôlego, agora tão fraco.
Emociona-me o filho, que em seu amor único, transforma o pudor do banho em momento abençoado.

Mas o que me tira o ar e faz marejar os olhos é presenciar o filho que numa derradeira mostra de cumplicidade genuína, observa atentamente o pai que sorve em goles curtos a bica que ele lhe dá a beber, ali, sentados à mesa onde há quarenta anos, o pai ensinou-o a gostar de café.

31/01/15

O meu amor é o teu


O meu amor é o teu.
Não é um amor qualquer,
é um amor sem hora,
é amor sempre
que a gente quiser.
É um amor sem medida,
é um amor sem juramento,
é um amor que sorri,
que não conhece lamento.
O meu amor é o teu,
o teu amor é o meu.




16/12/14

Um doce bom



Tu és o quê da minha vida.
És assim
Como um doce bom
A meio da tarde
A adoçar
Este viver amargurado.
No teu sorriso
É que encontro o alento.
Pois se és tu
Quem me move para diante
Por estes caminhos áridos
Que deu-me Deus para eu trilhar,
Que venham mil e uma tempestades,
Que corram rios de infâmia
Que não preciso de mais nada,
Pois que consegui a plenitude.
És o meu amor sem medida.
Por ti eu vivo
Por ti eu respiro,
E não um respirar qualquer.
Respiro
Ao ritmo desse teu coração alegre.
Sabes que a vida é uma só.
Então anda,
Vem,
Dá-me tua mão,
Que irei gastá-la
A amar-te.








29/11/14

Hoje quero amar



Hoje quero amar,
Amar a preceito,
Amar sofregamente,
Como amar se deve:
Sem pensar muito
Nem direito.

Quero amar meu amor,
Como se o primeiro fosse.
Um amor sem precedentes.
Quero um amor despudorado,
Que me deixe como
Quem nunca comeu melado.

Hoje eu quero
Sentir o coração descompassado,
E aquele estranho arrepio
Ali na curva das costas,
Ao aproximar do amado.
Sentir-me enfim, toda exposta.

Hoje vou amar,
Amar desmesuradamente.
Amar como só sabe quem ama:
Sem grande matemática.
Amar por amar,
Pura e simplesmente.



24/11/14

Iluminada


Chegaste
E contigo,
O sol.
Iluminou-te a ti
E a tudo
Que te rodeia.
Eu me cheguei mais perto,
Deixei-me embeber
Nessa luz dourada
Que já nem sei
Se vem do sol
Ou se nasce de ti.
Só sei
Que quanto mais
A ti chegada,
Mais iluminada
Eu sou.
Vem luz,
Vem cobrir meu corpo,
Vem lamber minha alma,
Que,
Para além desta luz,
Eu não quero 
Mais nada.



15/11/14

Simão



Simão foi. Já não é. Não estava destinado a ser, chego eu a essa conclusão.
Simão nasceu cão. Tolo que nem ele só. Raça pura ou vira-lata, não lhe interessou nunca. Era um cão e como tal se portava.
Era pequeníssimo, tanto, que muitas vezes eu nem o via. Chamava-o e, quando furiosa por ele não vir ao meu chamado, me virava já barafustando, dava de cara com ele sentado, a olhar para mim com aquela cara só dele, de "não vês que já cá estou? És tola ou quê?" E eu passava-me da cabeça. 

Na praia ninguém ficava indiferente à presença de Simão: ele não se deixava passar despercebido, apesar do pouco tamanho. E sua maior felicidade era correr para o primeiro ser que visse e saltar, saltar, como se quisesse compensar com isso, sua pequenez.
Toda a gente se encantava e ele se encantava com toda a gente. Mesmo os cães enormes com cara de poucos amigos, que de início paravam a olhar aquela coisinha aos saltos, acabavam por disparar com ele em corridas fantásticas pelo areal.

Houve uma manhã, que vai ficar na história das nossas vidas, em que ele cruzou na areia com uma cadelinha pequenita pinscher. Foi uma loucura!
Mal se aproximou o Simão, o dono da cadelita assustou-se com a abordagem deste e, muito nervoso e a dizer muito aflito que a dele era "uma cadêlinha" (o circunflexo é para melhor descrever a maneira querida como o senhor chamava o seu ser-amado), o que, para ele, deveria significar: "ela é uma relíquia e este desastrado rafeiro ainda a destrói"... 
Eu, educadamente, ainda tentei acalmar o senhor dizendo que Simão também era apenas um cãozinho: só tinha seis meses.
Mas, estava eu e minha filha a tentarmos acalmar o homem quando, não sei o que Simão disse ao ouvido da cadêlinha que, de repente, desataram os dois a correr, como já nos era habitual ver.
Mas o senhor não estava acostumado àquilo. Enervou-se tanto. Deu de correr atrás dos dois cães que agora já andavam aos círculos,  alegres como lhes era de direito.


Diante de minha mais pura estupefacção, a dada altura, o senhor deu de se atirar num salto destemido, à guarda-redes (goleiros) quando para deter a bola, mas a ânsia dele era segurar a cadêlinha. E ai! que caiu estatelado de cara na areia enquanto os outros dois prosseguiam na brincadeira, só a parar quando eu consegui segurar Simão, ficando então, a cadêlinha perfeitamente incólume a olhar, parada na areia, para o colega já no meu colo.


O homem levantou-se dum salto, agarrou a cadêlinha"ai, meu Deus! o coração dela está aos saltos." 

E eu ainda a ver se o acalmava: "É natural, andou a correr divertida..."

"Ai, a minha cadêlinha... ai o coraçãozinho dela..."

"Ó homem! Este também tem o coração aos saltos!" - e agarrei-lhe a mão para que sentisse o bater corrido dentro do peitinho do meu Simão...

Ai vida. Ai homens e suas cadêlinhas. 

Só uma coisa assustava o Simão: o mar. Talvez por culpa minha, pois eu  morria de medo que ele fosse nas ondas e gritava com minha filha, sempre quando o mar chegava mais perto.
Então depois era ele que corria, que fugia, quando via a onda a chegar...

Com o mar ele não queria nada.

Pois Simão acabou.
E levou um bocadinho da gente com ele.
em 2011


 Nota: Na falta de foto de Simão, que na altura, foram todas apagadas, talvez erradamente, na estúpida crença de que o que os olhos não vêem, o coração esquece,  uso uma foto de um dos meus sites de eleição, como sempre, devidamente linkado. 
Poderia ter escolhido uma outra qualquer, mas esta é a que melhor se assemelha "ao sorriso" de Simão, na sua vivacidade.

Simão existiu de verdade, e era tolo de verdade. Sua energia era inversamente proporcional ao seu minúsculo tamanho. Imparável. Incontrolável. Levando esta mulher aos píncaros do desespero muitas vezes, para delícia de quem mais o amava: a filha, que o levava para todo o lado, na mochila, onde ele se deixava transportar sempre de bom grado e "sorriso" aberto.
Talvez adivinhasse que o tempo lhe era escasso.
Morreu com míseros oito meses.

Morreu por imprudência, irresponsabilidade ou pura ignorância de alguém (porque existem pessoas, que não adianta a gente tentar sensibilizar, ensinar: simplesmente não sabem aprender. E admito, também culpa minha, que, em algum momento quebrei a guarda) que, para se precaver contra roedores indesejáveis, deixou veneno (raticida) onde não devia, sem as devidas precauções (em armadilhas: caixas próprias, compridas e com aberturas em tamanho pequeno, apropriado apenas para entrada dos roedores, onde se deposita o veneno no fundo, de maneira a que gatos e cães não possam alcançar e comer). 

O animal que ingere estes raticidas, segundo ensinou o veterinário, na altura, aguenta dois dias ou até mais, sem dar sinais de que está envenenado.
Se ninguém se apercebe do envenenamento, e não age nas primeiras horas, quando ainda há alguma possibilidade de tratamento, o envenenamento é fatal. Pode saber mais aqui.

Este texto sobre Simão já havia sido publicado anteriormente quando o blog ainda era o "Filosofando em cima da bicicleta", e estava em rascunho, como outros, quando da mudança para o atual "Do lado do Sol"
Agora, achei que era hora de busca-lo novamente, ao ler as dicas dos "cuidados a ter com o seu cão no outono" no blog de Brown Maria, aqui










29/08/14

Eu tive um gato


Eu tive um gato.
Não era um gato qualquer,
Desses que só fazem miar,
Sem que se consiga
Lhes entender o falar.

Meu gato
Falava-me,
Contava-me
Coisas.
Confessava-me
Por onde andava,
E perguntava-me
Onde fora eu,
Quando me ausentara.

Meu gato
Escutava-me
Como mais ninguém.
Meu gato
Olhava-me nos olhos
Com aqueles seus
Que eram dum azul
Mais lindo,
Que nem o sei descrever.
Não era o azul
Do mais límpido céu,
Nem o do mar profundo.
Era um azul
Único,
Como mais nenhum
Eu vi igual.

E com seus olhos azuis
Me namorava,
Mas apenas
Quando estávamos sós,
Não fosse alguém
Achacar-se
Por ciumeira boba.

Meu gato
Além de português,
Era um siamês,
Com ascendência italiana,
Por certo,
Se não nesta,
Numa outra
Vida passada,
Pois que meu gato
Gostava
Do bom esparguete.
E quando lho servia,
Lambia os bigodes
E parecia
Sorrir-me
Aquele seu
Olhar azul.

Houve um gato
De olhos azuis,
Vindo do Sião,
Que era português
Com ascendência italiana,
Que amava esparguete
E gostava
De mim assim.

Não fui eu
Que o tive,
Foi ele
Que me teve
A mim.




Nota: Deve-se o nome siamês ao facto dos ocidentais terem-no "descoberto" em Sião - atual Tailândia.
Para quem quiser ler umas "curiosidades" sobre o gato siamês:
http://www.tudogato.com/2011/06/siames-thai-gatos-de-raca.html

A foto utilizada é meramente ilustrativa, não correspondendo ao gato que inspirou o texto.
O meu gato siamês de olhos azuis existiu realmente.
Viveu uma vida que durou escassos três anos. Já se foi há quase dez anos, mas durará enquanto nós, que convivemos com ele, durarmos e tivermos capacidade para recordar as tantas lembranças que ele deixou, como, por exemplo, sua paixão por massa, ou sua recusa em usar a caixa da areia que tinha à disposição, e sair, pelo exíguo espaço vulnerável que descobrira entre as telhas da marquise, para alcançar o jardim, seu wc de eleição.
Era dono de suas vontades. E assim nos cativou e nos fez amá-lo da forma como o amamos, a ponto de, ainda hoje, volvidos tantos anos, lembrá-lo, ainda emocionar.

19/08/14

MULHER


http://www.stockvault.net/


Mulher – fortaleza,

Mulher – ninho sempre pronto a receber,

Fonte inesgotável de amor.

Mulher – porto sempre seguro
Que tanto dá…
Sem receber
E ainda incansável no perdão.
Mulher que insiste em crer,
Apesar das evidências…
Mulher despedaçada
Sempre julgada

Porque é Mulher.

Mulher, quem o diria?
Apontada por mulher!
Afinal,
O que és tu, Mulher?
Mulher – sempre Mulher.
Mulher – sempre burra.
Sempre parva…

Ó Mulher!
Abre esses teus olhos
E enxerga a maldade
Que se esconde no sorriso
Que tu beijas.
Entende
De uma vez por todas!
Que o amor que dás
É que te desonra.
Que a tua dignidade
É que te faz sofrer.

Sê fria, Mulher:
Não ames!
Não rias!
Não chores!
Não acarinhes,
Nem perdoes!

1993


20/07/14

Acredito sinceramente que o sexo pode ser lírico






Amor e atracção entre duas pessoas não passam de reacção química mais do que comprovada.
E quando essa atracção é intensa demais, provocando uma reacção física, falo de Física, de reacções eléctricas: o extraordinário acontece.
Não percebo patavina de Física (que me perdoe o magnífico Professor que tive), mas entendo quando se fala daquela atracção que dá choque e que nos altera toda a físico-química.
Conheço aquela sensação que chega quando a outra mão ainda está a intentar se aproximar da nossa, e já a pele da nossa própria mão começa a electrizar-se, antecipando o toque... E ao mais leve roçar dá-se um choque real e verdadeiro.
Isso é atracção da melhor qualidade...

Triste de quem morre sem nunca ter experimentado esse prazer na própria pele.
Triste de quem pensa que viveu a melhor experiência, mil experiências, porque transou de mil e uma maneiras; nas posições mais escaganifobéticas; teve o melhor homem do pedaço; pescou as meninas que lhe passaram à frente; mas, não teve na pele da sua mão, essa descarga eléctrica de que falo.

Falo do melhor que há.
É a génese do sexo lírico.
E quando essas duas mãos se juntam, e tocam no corpo do outro, aí então, é abrir portas ao paraíso, minha gente!
E todo o resto passa a ser poema do mais belo que há.
Porque é vivido com beleza, com a intensidade da emoção pura.
Uma emoção que está acima da nossa própria capacidade de percepção, mas que é maravilhosa no sentir...



12/07/14

As flores mais belas são para ti



Quisera um dia
as mais belas flores
para tas ofertar a ti, meu amor.
E as mais belas flores
que encontrava     
foram tuas, amor querido.
Queria eu,
na beleza das flores,
mostrar-te o quanto
era grande o meu amor.
E o quanto amava eu
o teu sorriso.

Quisera um dia
conseguir
combinar o colorido das flores
com a cor desse teu sorriso
ao recebê-las.
Hoje,
procuro as flores mais belas
para tas levar.
Mas já não me estendes as mãos,
naquela alegria
que combinava tão bem
com as flores garridas.
Hoje,
procuro
as flores mais belas
para depositar na pedra quente,
rescaldada do sol,
que guarda
o que restou
de ti.

E,
continuo à procura
das flores mais belas.

E as flores mais belas
que encontro,
embora
continue eu
a dizer
que são para ti,
talvez não sejam
mais que um colmatar
a falta que me fazes.
Talvez não passem
duma insana forma
de te ter aqui.       





28/06/14

Saudade



Tenho saudade de te amar
a ti...
Que nem sei quem és…
A ti
que seguiste
pelo caminho contrário
ao que trilhei.
Mas amor,
mesmo assim,
é para ti,
que eu não tenho,
que eu não vejo,
que eu nem conheço, sequer…
É para ti
que eu canto esta canção
que é de um romantismo barato,
ridícula,
como ridículo é o amor.
É a ti
que eu digo: “I love you”.
É de ti
que eu tenho saudade.
É dos teus beijos
e abraços
que eu sinto falta.
É da tua voz,
num sussurro de palavras
que não conhecem decoro,
que eu tenho saudade.
É de ti amor
que eu sinto tanta falta.
É apenas de ti
que eu tenho saudade…