Porque dizem que o sorriso faz bem ao
coração, engana a lágrima e alimenta a alma, é com Djavan que a mensagem abre,
para que saibamos sorrir, mesmo em dia cinzento, ainda que a dor torture e os
ombros gritem o cansaço.
E já que é Dia do Sorriso…
Esta é a versão em Português, de
autoria do compositor brasileiro João de Barro (Braguinha) que, muitos anos
mais tarde, foi regravada por Djavan. Esta versão tem um poema lindo, que não
fica atrás do original.
O que muitos, das gerações mais novas,
não sabem, é que esta música, das mais famosas de todos os tempos, começou por
ser apenas uma doce melodia, criada por Chaplin (também conhecido como Carlitos
ou Charlot) em 1936 para um filme seu, que, já há oitenta anos e, atrás de uma
comédia-sem-palavras foi sua voz para criticar a ditadura, a revolução
industrial e o capitalismo que maltratam e mecanizam o homem.
A música, somente em 1954, viria a
receber a letra, pelas mãos de John Turner e Geoffrey Parsons. Teve versão em várias línguas,
até em Esperanto.
Foi cantada por
todo o mundo, por algumas das mais famosas vozes.
E era a música preferida de Michael Jackson, tendo, inclusive, sido cantada por seu irmão na cerimónia de seu funeral.
Curiosamente, este "Smile", que nos manda sorrir, apesar de todas as dificuldades, tem um quê de melancolia na sua melodia.
O dia 20 de Março deste ano vai ser no próximo Domingo.
Para quem não sabe ou não se lembra: foi o dia escolhido pela ONU para chamar a atenção para a natural aspiração dos seres humanos à felicidade.
Passou a ser celebrada desde 2013 - ainda muito recente, portanto - depois da proposta aprovada, por unanimidade por todos os estados-membros da ONU que reconheceram que a felicidade das pessoas deve ser um dos objectivos a atingir pela política de todos os governos.
Não espera a ONU que se espalhem cartazes alusivos à boa-disposição espampanante e decorados por sorrisos fáceis, nem que se ergam as taças e se façam brindes à alegria de selfies. Penso que não.
Mas espera consciência para que, quando da adopção de diversas medidas político-sócio-económicas, se procure um desenvolvimento sustentável e maior equilíbrio da sociedade.
Estamos bem longe disso, mas é um dos meios para fomentar esse pensamento. Tenhamos fé.
O mais curioso é que o assinalar da data nasceu da sugestão de um pequeno país chamado Butão, país de que pouca gente tem conhecimento.
É um pequeno reino que fica bem perto do céu, nos Himalaias, entre a China e a Índia.
Maioritariamente budista e tendo como segunda religião o Hinduísmo, tudo doutrinas com filosofias de vida muito diferentes das dos ocidentais.
Esse pequeno país, que ultrapassou a sua origem um tanto atribulada, que tem uma economia - baseada na agricultura de subsistência e pouco mais - que é considerada das menos desenvolvidas no mundo, é tido como o país da felicidade.
E seu povo considera a felicidade a maior prioridade desde que, na década de 1970, subiu ao trono um jovem de 18 anos que proclamou que a Felicidade Interna Bruta ( FIB ) teria mais importância do que o Produto Interno Bruto ( PIB ).
Isto porque, segundo o jovem rei, o objectivo da vida não deveria ser limitado a produzir, consumir e produzir mais.
Não. Defendia que as necessidades humanas vão muito mais além do que bens materiais.
O rei sonhou.
Não será uma sociedade perfeita, mas, talvez por estarem envolvidos pela exuberância natural que sabem proteger e ali, tão próximos do céu, facto é que o povo afirma que é feliz.
Por estes lados, apesar do regresso de alguns à labuta do dia-a-dia, o nosso espírito ainda saboreia da leveza das férias, aproveitando as últimas réstias do sol de verão e a companhia do nosso apaixonado mar, esse, que deu de se espreguiçar numa languidez de dar gosto oferecendo-se aos últimos mergulhos. Por tudo isso, não falarei de tristezas. Admirem-se, mas não tenho coragem. Seria como estragar um fim de tarde de Agosto, daqueles em que o sol lambe o mar, a estender-se até à areia morna e eu fosse varrê-lo com uma rajada de vento das que vêm do frio norte. Não. Por agora, ainda que os problemas proliferem em equações impossíveis e que o desespero esteja a caminho de nos bater à porta, ignoremos tudo. Vivamos em ritmo de férias. Desfrutemos da magia do momento, como se não houvesse amanhã, tal e qual como quando vivemos aquele primeiro amor, lá distante, na adolescência, quando tudo era bom e o estado de graça era possível e a felicidade era eterna e, ouvíamos um anjo bom sussurrar-nos ao ouvido: "Só hoje" . Vivamos, então, o dia de hoje, assim dessa mesma maneira, com essa mesma intensidade. Não pensemos, ainda, na lista de obrigações que nos aguarda amanhã, não nos percamos em contas de cabeça. Desfrutemos apenas deste mar que nos apela à doce indolência que os deuses nos oferecem.