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09/03/16

Hoje também é dia, concorda?


Ontem foi Dia Internacional da Mulher.
Dia envolto em muitas histórias e acontecimentos, defendido em vários pontos do planeta, de forma distinta, desde finais do século XIX e oficialmente adoptado pela ONU em 1977. A própria ONU faz da data mote para divulgar a campanha pela igualdade de género.

Assim, ontem foi dia de homenagear as mulheres por esse mundo fora, se bem que não exactamente por todos os países do mundo. E não esqueçamos que, mesmo nos países que adoptaram o costume de homenagear a mulher,  nem todas as mulheres receberam uma flor ou um trato melhor do que o habitual do seu dia-dia.
Aliás, arriscaria afirmar, sem medo de errar, que existirão mulheres por esse mundo afora, quem sabe, até mesmo ao meu lado e à sua beira, que nem têm conhecimento de que existe um dia marcado no calendário de uma parte das pessoas, que serve para assinalar a luta pelos direitos da Mulher.
Elas nem sabem que têm direitos.

https://pixabay.com/pt/photos/?orientation=&image_type=&cat=&colors=&q=mulher%20triste&order=popular&pagi=2


Por outro lado,  se ontem foi o Dia Internacional da Mulher, eu acredito que hoje, apesar de não ser igualmente assinalado, também é dia da Mulher. E amanhã também será, ainda.

Concorda comigo?

Quando os microfones já não estão virados para ela;
quando os sorrisos de data marcada já não se apercebem de sua presença;
quando as lojas no shopping já não têm rosas ou tulipas para lhe estender;
quando o homem com quem reparte sua vida já não ensaia uma frase bonita ou um beijo na face;
ela continua a viver o seu dia como Mulher e continua a precisar de respeito e de todos os direitos que um ser humano deve ter.


E por falar em  direitos... nós, mulheres que, independentemente dos valores que nossa carteira comporte, estamos habituadas a todas as comodidades

08/03/15

Ser mulher no dia da mulher e nos outros também




Na minha rua
Há uma casa
Onde mora um monstro
Com rosto
De príncipe encantado
Que abre a porta
Aos terrores,
Que semeia
Um mundo de pavores,
Tantas lágrimas!
Indizíveis dores
Encerram os cómodos
Daquela casa.
Mas eis que sai à rua
O monstro
De braço
Com a princesa
Que no rosto traz
Lindo sorriso
E nos olhos
Esconde tristeza.

Para além de rosas, laços e sorrisos, não fica mal falar e manter viva a ideia da Organização das Nações Unidas ao instituir em 1975, o 8 de março como dia Internacional da Mulher para que se marcasse as conquistas políticas, sociais e económicas conseguidas pelas mulheres, duma luta iniciada na viragem do século XX, tanto na Europa como nos Estados Unidos, em que reclamavam por melhores condições de trabalho - numa altura em que “era normal” trabalhar 16 horas diárias e receber até 1/3 do salário masculino - e pretendiam ainda o direito ao voto.

Após tantas lutas e tantas conquistas, ainda tanto por conseguir.
A injustiça social e profissional e a violência dentro e fora de portas continuam a perseguir a mulher.

  • A mulher é vítima quando trabalha em condições semelhantes ao homem e recebe salário inferior;

  • A mulher é vítima quando é desrespeitada e assediada sexualmente no local de trabalho;

  • A mulher é vítima quando não lhe é garantido seu posto de trabalho para que possa assegurar a criação de seus filhos com dignidade;
  • A mulher é vítima quando, em nome de tradições culturais sofre mutilação genital, perpetrada por sua própria família;
  • A mulher é vítima quando, ainda em nome das tradições é obrigada, contra sua vontade, a casar-se;
  • A mulher é vítima quando é forçada a prostituir-se;
  • A mulher é vítima quando sofre de violência doméstica – no ano passado (2014), em Portugal morreram uma média de uma mulher a cada semana nas mãos de seus algozes; este ano já morreram seis mulheres – pode ver aqui.  ... Já o Brasil conseguiu uma vitória na luta em oposição à violência contra as mulheres com a aprovação, esta semana, no dia 3 de Março, do projecto lei que torna o feminicídio um "crime hediondo", em que a punição será mais severa sempre que uma mulher for assassinada por violência doméstica ou sexual - pode ver aqui.
  • A mulher é vítima quando é usada como arma de guerra – o horror da guerra é sempre maior para as mulheres e meninas que, cada vez mais, sofrem estupros brutais, são vítimas de tráfico humano, são tornadas escravas sexuais – como pode ver aqui num alerta do Vaticano na ONU.


Há vinte anos, líderes mundiais reuniram-se em Pequim e comprometeram-se a garantir os direitos das mulheres e jovens.

Hoje, Lucy Freeman – directora do programa de género, sexualidade e identidade da Amnistia Internacional diz que esses direitos estão ameaçados – pode ver aqui o relatório.


A APAV - Associação de Apoio à Vítima está a lançar uma música que tem poema do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho e que quer ser um hino pelas vítimas da violência doméstica. São oito cantoras portuguesas que querem dar a voz por quem sofre em silêncio.
Pode ouvir e fazer o download da canção aqui no site da APAV.




Bem, se você, como eu,  MULHER, teve a coragem de lembrar de todas estas realidades e chegar aqui, só me resta, para finalizar, sorrir-lhe e desejar do meu coração, que hoje, amanhã e nos dias que hão-de vir, você e eu possamos viver dignamente na condição de mulher, que apenas quer e merece ser ser humano.







19/08/14

MULHER


http://www.stockvault.net/


Mulher – fortaleza,

Mulher – ninho sempre pronto a receber,

Fonte inesgotável de amor.

Mulher – porto sempre seguro
Que tanto dá…
Sem receber
E ainda incansável no perdão.
Mulher que insiste em crer,
Apesar das evidências…
Mulher despedaçada
Sempre julgada

Porque é Mulher.

Mulher, quem o diria?
Apontada por mulher!
Afinal,
O que és tu, Mulher?
Mulher – sempre Mulher.
Mulher – sempre burra.
Sempre parva…

Ó Mulher!
Abre esses teus olhos
E enxerga a maldade
Que se esconde no sorriso
Que tu beijas.
Entende
De uma vez por todas!
Que o amor que dás
É que te desonra.
Que a tua dignidade
É que te faz sofrer.

Sê fria, Mulher:
Não ames!
Não rias!
Não chores!
Não acarinhes,
Nem perdoes!

1993


16/07/11

Vivo do faz-de-conta

https://pixabay.com
Vivo
do faz-de-conta,
porque sim.

E quando me perguntam
“como estou”
falo
do que querem ouvir,
falo de outra,
não de mim.

Falo da que não é mulher,
é sereia,
de cabelos em onda,
longos e negros,
pernas que prolongam
o rabo dançante
e que pisam
nuns escarpins
de salto agulha.

Falo de uma dona
de olhos de lince
escondidos
num brilhar
que ofusca quem os vê.

É dessa dona
que falo.
Dessa dona,
senhora
cuja boca
não fala,
derruba.

Vivo
do faz-de-conta
E, quem sabe,
faz de conta
que não sou
a dona
que faço de conta
ser.