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20/12/14

Tão bonito a fraternidade...



Não me identifico como pessoa de andar para aqui a fazer julgamentos acerca dos comportamentos ou opções alheias, mas no que diz respeito a este tipo de assunto que nos é escancarado à frente e, de uma maneira ou outra e mesmo de todas as maneiras, acaba por nos entrar porta adentro, ouso julgar e dar-me ao direito de mexericar acerca do tema.
É que isto da galhofada em que resolveram transformar o Natal já anda a passar dos limites do tolerável.

Concordo que o mundo evolui e, com ele, a própria maneira de reviver as tradições. E, por arrasto incluem nessa evolução, as tradições religiosas. Maaaaas… atendendo a que são t-r-a-d-i-ç-õ-e-s e, a tratar-se de religião, que tem a ver com crença, com valores morais e espirituais, não seria lógico que respeitassem o segmento original? Serei eu a única mete-nojo cá desta sociedade moderna, a se dar à impertinência de não compactuar com estas modernices que não me dizem nada, nem me engrandecem a alma, nem me trazem verdadeira paz à vida?
E da fraternidade alardeada, tendo o cuidado de por a salvo raríssimas excepções, só me resta afirmar que parece soar, cada vez mais, a virulenta hipocrisia, adoptada por uma dúzia de bem afeiçoados a quem zoou que lhes ficaria bonito e lhes resultaria numas fotografias à maneira para o curriculum vitae e, com um bocado de sorte até para o jornal lá da terra, se andassem para aí e para ali a apregoar a generosidade com os menos favorecidos da periferia da sociedade moderna... pelo menos durante esta meia dúzia de dias, que é inverno por estas paragens e, mais do que bem que fica, agasalhar quem tem frio e dar caldo quente a quem tem fome, e por aí vai a conversa…

Quando olho à minha volta constato que há pessoas adultas para quem Natal é significado de compras e de ofertas. E dão, oferecem, presenteiam a todos à sua volta.

A sala decora-se de papéis de embrulho e fitas largas e estreitas de todas as cores e, na cozinha, segreda-se as mágoas, cochicha-se acerca deste e daquele e, sobrando tempo, ainda daqueloutro.
À mesa arreganha-se o sorriso. No resto do ano desdenha-se das carências de quem as tem – que se contentem com um jantar de Natal e uma prenda e não digam que vão daqui!  que quem dá o que pode, a mais não é obrigado.

E assim, se passa do feliz natal” à corrida para o ano novo, que se vive na mesmice dos anteriores, até que ele, o novo, também se fine.
E assim temos vivido nós: tão bons, tão amigos, tão fraternos, tão alegres nos 10 dias de 365.





19/12/14

O Natal que eu sonho


Que o Natal
Não se resuma a palavras vazias
E mecanizadas,
Exigidas por uma sociedade
De sorriso gélido
Como o frio de Dezembro.

Que não seja simples palavreado
Da boca pra fora,
Porque o momento assim o dite.

Que toda esta fraternidade
Não caia no esquecimento
Daqui a uma semana,
Quando as rabanadas
Já estiverem digeridas
E os sonhos em calda
Já tiverem escorrido
Pela sanita abaixo.

Porque eu quero
É um Natal
Diferente.
Eu quero
O Natal que eu sonho!

O Natal que eu sonho
É aquele que chegue
Sem data marcada,
Sem obrigação
De trazer laço.

O Natal que eu sonho
É aquele que não me traga
O sabor amargo
Do sorriso obrigado.

O Natal que eu sonho
É aquele que não me deixe
A culpa
Por não estar
No lugar errado.

O Natal que eu sonho
É aquele que chegue
Para ficar
Todos os dias
Da minha vida.


Dezembro/2010