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17/07/16

A arte a pintar vidas




Joan Punyet Miró  neto de Miró, doou 28 obras do pintor para serem leiloadas, a fim de serem angariados fundos para ajuda dos refugiados que têm chegado à Europa.

O neto de Miró diz ser "o executante da sua vontade" e estar a fazer o que o próprio avô teria feito - apenas isso. E por quê?
Porque "se fosse vivo, consideraria que o que hoje se passa na Síria poderia acontecer amanhã em Espanha" - em alusão à Guerra Civil Espanhola na década de 30.

O lucro obtido no leilão é para ser gerido pela Cruz Vermelha.

Um gesto de quem teria tudo para se fechar em seu mundo de fartura de cor e de conforto, evadindo-se da realidade pintada em tons de crueldade, do lado de lá de seu portão.
Ninguém lhe iria cobrar uma atitude, sequer.
Mas a sua consciência chamava-o a intervir num drama que é de todos.
Como tão bem disse John Donne (poeta inglês):

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo;
todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.
Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio;
a morte de qualquer homem me diminui,
porque sou parte do gênero humano,
e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram;
eles dobram por ti.”


E, o neto de Miró sabia-se numa posição privilegiada que permitia que fizesse a diferença, a chamar a atenção para o apocalipse que se abate sobre esta gente que é parte de nós.

O problema que se põe é que a ajuda financeira, ainda que boa, é uma migalha para os cerca de 4,8 milhões de refugiados, desde o início desta crise e, que só neste ano de 2016, já vai em mais de 146.000 entre refugiados e migrantes chegados a este continente.

Precisa-se de mais "Joan Punyet Mirós" a se darem a esta causa.


 Leia mais aqui:







06/06/16

Os olhos dos poetas





“As cores estão lá, no poente. Mas quem só vê as cores não vê nada.
A beleza nostálgica do sol que se põe é uma dádiva dos olhos de quem a vê como quem vê pela última vez.
Os olhos dos poetas são sempre olhos que se despedem.”


Rubem Alves

Se tivéssemos a consciência de que não haveria outra oportunidade, com certeza olharíamos de forma diferente. A nuance de vermelhos tomaria uma outra dimensão.




17/05/16

A escrita é arma


Quando não se quer espingarda nem metralhadora.
Quando não se tem aptidão para fazer mortos nem feridos.
Quando a voz é amordaçada.
Quando a liberdade é encarcerada.
Quando se é ninguém, a palavra dá poder. A palavra faz-nos grandes.

A escrita pode ser arma. Em silêncio ela grita. Ultrapassa fronteiras, navega por mares revoltos, redobra força e alcance na vontade de outros.
A poesia tem um poder maior do que o seu tamanho e pode mover montanhas.
Mia Couto, no prefácio de um livro de Xanana Gusmão, fala disso tão bem.

Xanana, cujo nome correu mundo, a quem arrancaram as armas, isolaram numa cela e lhe calaram a voz. Mas, em silêncio, continuou seu grito, pela liberdade de seu povo, de sua terra, de seu mar.
Na prisão, Xanana escrevia e pintava.
Na prisão, seu silêncio gritou ao mundo, e desencadeou das maiores acções conjuntas de vários países para a instauração da liberdade num país.

Hoje, tenho em mãos, seu livro de poemas e pinturas, uns e outros da época em que esteve preso. O livro: Mar Meu, tem um prefácio fabuloso de Mia Couto, de que transcrevo alguns trechos.


«O tempo é um ser que engravida antes mesmo de nascer.
Em cada momento, a História sonha o seu próprio futuro. (...)
Com desespero de náufrago, o tempo abraça ao mundo e, no remoinho, ambos se afundam. (...)
Neste estilhaçar de tempo e mundo, que lugar tem a solidariedade? Quanto nos pode ocupar a injustiça que ocorre distante, quando, tantas vezes, fechamos os olhos àquela que tem lugar no nosso próprio lugar?
Timor parece erguer-se como prova contrária a estes sinais de decadência. Afinal, há alma para sustentar causas, erguer a voz, recusar alheamentos. Uma nação distante se reassume como nosso lar, nossa razão, nosso empenho. O sangue que se perde em Timor escorre de nossas próprias veias. As vidas que se perdem em Timor pesam sobre a nossa própria vida.
Foi assim que li os versos de Xanana. E naquelas páginas confirmei: pela mão de um homem se escreve Timor. (...)
Há ali não apenas poesia mas uma epopeia de um povo, um heroísmo que queremos partilhar, uma utopia que queremos que seja nossa. (...)
Adentrado numa cela, Xanana nunca esteve tanto no mundo. Seu nome nunca ganhou tais ecos, seu rosto magro nunca se desdobrou em tanto retrato. (...)
Mais que o negar de uma nação, um genocídeo está acontecendo. Não basta a nossa indignação. (...)
A poesia pode ser uma destas subtis armas que poderá mover montanhas. (...)
Numa cela isolada, um homem escreve versos. Reclama o simples direito de ter um mar, um céu que, sem temor, embale Timor. Neste simples acto, este homem de aparência frágil, desqualificou as paredes, convocou a nossa solidariedade e negou o isolamento. (...)
Afinal, um simples verso refaz o Universo.»

Maputo, 21/6/98

http://fotos.sapo.pt/east_timor/fotos/?uid=0gbkKOSEbc0A5ZzbdZYY#grande"Estou em guerra
o céu não é meu
Estou em guerra
o mar não é meu
Estou em guerra
e a vida só se conquista
com a morte...
na esperança de recuperar
o meu mar!"
 



 O poema é de Xanana Gusmão, escrito em 1995, a tela, também sua, é do ano anterior, ambos criados na prisão.






 

28/04/16

Sorri, ainda que...

 
Porque dizem que o sorriso faz bem ao coração, engana a lágrima e alimenta a alma, é com Djavan que a mensagem abre, para que saibamos sorrir, mesmo em dia cinzento, ainda que a dor torture e os ombros gritem o cansaço.
E já que é Dia do Sorriso



Esta é a versão em Português, de autoria do compositor brasileiro João de Barro (Braguinha) que, muitos anos mais tarde, foi regravada por Djavan. Esta versão tem um poema lindo, que não fica atrás do original.
O que muitos, das gerações mais novas, não sabem, é que esta música, das mais famosas de todos os tempos, começou por ser apenas uma doce melodia, criada por Chaplin (também conhecido como Carlitos ou Charlot) em 1936 para um filme seu, que, já há oitenta anos e, atrás de uma comédia-sem-palavras foi sua voz para criticar a ditadura, a revolução industrial e o capitalismo que maltratam e mecanizam o homem.
A música, somente em 1954, viria a receber a letra, pelas mãos de John Turner e Geoffrey Parsons. Teve versão em várias línguas, até em Esperanto.

Foi cantada por todo o mundo, por algumas das mais famosas vozes.
E era a música preferida de Michael Jackson, tendo, inclusive, sido cantada por seu irmão na cerimónia de seu funeral.

Curiosamente, este "Smile", que nos manda sorrir, apesar de todas as dificuldades, tem um quê de melancolia na sua melodia.

* Veja se reconhece esta voz que manda sorrir...





Smile

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...

If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through, for you

Light, up your face with gladness
Hide, every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile

That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.