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31/08/16

O erotismo

https://pixabay.com


Gosto do erotismo das palavras doces
que me chegam pelos ouvidos devagar,

bem

devagar...

Para dar tempo à alma para as descascar,
como se descasca uma manga madura sumarenta a pingar de doce...

E saborear devagar,


bem



    devagar...




20/07/14

Acredito sinceramente que o sexo pode ser lírico






Amor e atracção entre duas pessoas não passam de reacção química mais do que comprovada.
E quando essa atracção é intensa demais, provocando uma reacção física, falo de Física, de reacções eléctricas: o extraordinário acontece.
Não percebo patavina de Física (que me perdoe o magnífico Professor que tive), mas entendo quando se fala daquela atracção que dá choque e que nos altera toda a físico-química.
Conheço aquela sensação que chega quando a outra mão ainda está a intentar se aproximar da nossa, e já a pele da nossa própria mão começa a electrizar-se, antecipando o toque... E ao mais leve roçar dá-se um choque real e verdadeiro.
Isso é atracção da melhor qualidade...

Triste de quem morre sem nunca ter experimentado esse prazer na própria pele.
Triste de quem pensa que viveu a melhor experiência, mil experiências, porque transou de mil e uma maneiras; nas posições mais escaganifobéticas; teve o melhor homem do pedaço; pescou as meninas que lhe passaram à frente; mas, não teve na pele da sua mão, essa descarga eléctrica de que falo.

Falo do melhor que há.
É a génese do sexo lírico.
E quando essas duas mãos se juntam, e tocam no corpo do outro, aí então, é abrir portas ao paraíso, minha gente!
E todo o resto passa a ser poema do mais belo que há.
Porque é vivido com beleza, com a intensidade da emoção pura.
Uma emoção que está acima da nossa própria capacidade de percepção, mas que é maravilhosa no sentir...



06/07/14

Tu e eu


https://pixabay.com/



Vens devagarinho…
Insinuas-te num sussurro ao ouvido…
Trazes-me na língua
o delírio
que me percorre todo o corpo.
O bater
do teu coração no meu peito
faz o meu sangue
correr mais depressa
até à seda que se abre generosa para ti.
E quando tacteias nesta seda
em busca da foz
onde desaguar teu rio
é um prazer só!
E se me devastas
a floresta
onde me escondo,
eu gemo
dum gemer de só querer.
Depois,
quando, na escuridão,
encontras o caminho em mim,
me abres e preenches
o meu vazio.
É o troféu
que me trazes:
são os louros da glória!
E então,
derramas-te inteiro…
e te sinto esvaindo…
e aí,
tu não és mais tu
e eu não sou mais eu…
tu és o orvalho,
eu sou o jardim,
tu és o sol,
eu sou a luz.
Tu e eu
somos um gozo só.





05/04/14

Sedução

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Hoje ao sentir-te perto de mim, assim tão perto, quase que a se tocarem nossos rostos…obriguei-me à serenidade, para que não transparecesse a emoção do momento.

Mas podia sentir tua respiração quase que imperceptível, qual brisa suave, a soprar-me no rosto.
A provocar-me um arrepio que me percorreu toda a coluna numa rapidez, como se de uma descarga eléctrica se tratasse.
Ah… quisera eu que se prolongasse no tempo tal momento. Mas de tão fugaz, restaria, por certo, a dúvida de o ter vivido, não fosse guardar ainda teu cheiro másculo na memória.

Quisera eu saber que sensação te provocara tanta proximidade…
Quisera eu saber se aquela respiração compassada e contida que te sentia era o respirar do meu perfume.
Com certeza o sentias. Seria impossível que assim não fosse.
Inebriei-te?
Seria essa a razão de tanta demora, que me pareceu eternidade, antes que proferisses palavra?

Quisera eu saber se também te provocara um arrepio pela coluna, o sentir-me tão próxima de ti, a milímetros do teu desejo.
Porque te limitaste ao “até amanhã” e te contentaste com o meu “até à próxima”?
E de “até amanhã” em “até amanhã”, permitimos que os anos nos mantenham afastados…
Acaso esperavas de mim menos comedimento?

Infeliz de ti, que me tomas por outra.
Não serei eu de tal casta, mas sim daquela a que pertencem as mulheres que anseiam o reconhecimento da conquista.
Pois que não me limito a ser oferta. Mera amostra grátis, de um qualquer expositor.

Mesmo que me corroa a ânsia de teu toque, manter-me-ei serena.
Mesmo que o desejo de respirar teu cheiro, de tocar com meu corpo tua pele que meus olhos inebria, mesmo que a vontade de ter tuas mãos a me percorrer as costas arrepiadas me enlouqueça a razão…mesmo assim, manter-me-ei serena.

Porquê?

Porque mais do que desejar-te a ti, desejo eu a volúpia deste roçar ao de leve, deste respirar quase inaudível, mas que arrepia os sentidos…
Desejo o desejo que a carne não sacia.
Chama-me louca!
Pouco importa.
Este é o verdadeiro prazer, digo-te eu.