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01/08/16

Vem, Agosto


https://pixabay.com/



Vem, Agosto, juntar-te às almas quentes
que cantam à brisa, filha do mar.
Vem florescer a vida,
encetar viagem a desbravar vontades,
desvirginar sonhos e despertar franquezas.
Vem alcançar cumes distantes,
correr pelas planícies
e colorir os céus com teu planar.
Vem, Agosto, que se faz tarde!
Vem imortalizar as lembranças de amanhã.










25/05/16

Tempo de te amar



Veio o tempo
e o tempo se foi.
E eis que chegou o tempo
em que já
não me resta muito tempo
de ter tempo
e dar tempo
ao tempo.

Se deixo passar
o tempo,
o tempo foge
e fico sem tempo
de ter tempo
de te amar
com tempo.








Este poema tão pequenino saiu-me assim tipo: zás-tráz!
Chegou, de súbito, à ponta do lápis, que quase não lhe conseguia acompanhar o nascer, que era assim como o brotar da água na fonte.
Em menos de um instante já estava cá fora. Meio sem querer, sem buscar palavras, que essas corriam à frente do pensamento.
E de tão pequenino e singelo o poema se fez grande em significado para mim.

Embora saibamos dizer que o tempo é fugaz não o vivemos com a verdadeira consciência da fugacidade.
Porque, para nós, o tempo não passa.
Julgamo-nos eternos e, mais que isso, eternamente jovens, eternamente sãos e eternamente eternos.

E, assim, andamos tão enganados a acreditar ter tempo, tanto tempo…
Porque não vivemos o verdadeiro tempo, aquele tempo que corre e não pára para descansar nem para nos dar tempo.
Vivemos o tempo irreal, o tempo que julgamos que espera por nós.
Prova disso é a construção de planos aos montes que nunca se chega a colocar em prática, num adiar eterno, por uma ou outra razão.
Passamos uma vida inteira a acreditar piamente que ainda vamos a tempo.
- se não for este mês, é no mês que vem.
- se não for no mês que vem, será no outro.
E nisso passa-se um ano.
E passa outro.
E mais outro.
Até que chegue o dia em que nos apercebamos que passou tempo a mais e a gente:
- não fez.
- não foi.
- não visitou.
- não viajou.
- não comprou.
- não viveu.
- não amou.
- não nada do que planeou.

E o tempo acabou.

2010


14/05/16

A caixa de sonhos


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Eis que chega aquele dia em que a pessoa resolve ir buscar a caixa onde meteu seus sonhos e, que só abrira em algumas raras noites de insónia em que os fantasmas do dia-a-dia e as assombrações da noite lhe deixavam espaço para divagar e sacudir o pó acumulado sobre a tampa. Agora, de tanto tempo sem conviver com eles, já nem se lembra que sonhos sonhara...




28/03/16

A louca




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Ela ainda procura um não sei o quê na diferença.
Busca por aquele que sem ser se afigura…
Conta que conheceu o amor na malquerença,
que no rosto do anjo avistou o breu,
diz que do abismo resgatou a cura.
Crê que existe, algures, num recanto,
vestida de penumbra, a alvura que lhe fugiu.
Assevera que a carência alimenta mutantes
e segreda-me que alberga demónios.
Assegura que toda a vida
dura o tempo dum instante.
Ergue preces às entranhas do céu,
ainda chora pelo anjo que partiu