17/05/15

As nossas dores



Nós somos uma alma marcada por cicatrizes que vamos acumulando no nosso percurso.
Porque as perdas são várias. Algumas marcam bem fundo, como feitas a estilete e, deixam cicatriz que nunca desvanece, porque a dor da perda quer fidelidade e parece ter medo que esqueçamos que ela foi nossa um dia.

Há perdas que semeiam em nós dores que nos fazem chorar baba e ranho durante dias, semanas, meses a fio! e depois, acompanham-nos durante todo o resto da vida. Às vezes, parecem meio adormecidas. Mas apenas até que uma voz, ou melodia, ou um qualquer cheiro as acorde. E aí, acordadas desse entorpecimento do sono voltam a latejar com a força de início e, é difícil tornar a aconchega-las no regaço e fazê-las adormecer.

As nossas perdas, essas, ninguém as sente, nem sofre por nós.
Nada as colmata, a não ser nós mesmos, quando, depois do ranho todo cá fora, inspirarmos fundo e nos vier a vontade de sobreviver.




12/05/15

Minha Utopia




No fazer da
Minha saudade
Uma lembrança
Do que nunca
Foi verdade,
Enganei
O desalento.
Consegui que o desejo
Fosse ordem,
Que a dor
Fosse sonho,
Que a morte
Fosse vida.



06/05/15

Ó amor!




Ó amor idolatrado!
Tanto do que te cantam
São lágrimas de abandonado.
Por te quererem
Tantos choraram,
Tantos filhos nasceram,
Tantas mães lamentaram.
Quanta vida por viver
Quando a alegria deixou de ser.
Terá valido a pena?
Que o diga
Quem amou.
Se para passar pelo amor
Riu e chorou,
Conheceu tormenta e dor,
Pediu a Deus,
Inverteu o santo,
Perdeu-se na espera,
Não usou véu nem manto,
Culpou os céus, por fim,
Dos pecados seus.