18/07/15
Deixa...
Trabalho é o que te espera,
pois que cultivar e gerar é a tua herança.
Deixar que a terra germine a semente,
permitir às entranhas que gerem um filho
que leve teu sangue para além de ti.
Pois dita a lei que perpetues a espécie.
Mas não ouses crer
que o filho de ti gerado
caminhará à sombra de teus passos.
É preciso que lhe soltes as amarras
para que navegue seu próprio mar,
para que lavre sua própria terra,
algures, longe
do teu protector regaço.
É preciso
que seu coração conheça as lágrimas
e seus olhos
alcancem vistas por ti desconhecidas,
que seus gritos
ecoem em altos montes,
que seus pés trilhem
por caminhos ainda não percorridos.
Não te lamentes.
Deixa que corra;
deixa que ame;
deixa que sofra;
deixa que erga castelos
que outros venham a destruir.
A glória não nasce em casa fechada.
Que se abram as portas e portões,
que se aponte ao horizonte.
Que se ouse perder
para ganhar.
É tempo de ver partir.
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MÃE & PAI,
NÓS E O MUNDO,
VIDA
13/07/15
A solidariedade de uma Europa que se chama União
Se os governantes tivessem a sensibilidade do poeta...
talvez a união dos povos não fugisse a galope num cavalo preto,
talvez todos marchassem juntos, a saber para onde.
Não se nega aqui, as culpas da Grécia nesta crise catastrófica.
Tem culpas, como também tem Portugal, pela sua própria calamidade que, ai de nós! o que temos passado.
Os gerentes destas casas não se portaram como o esperado e levaram-nos a todos pela ladeira abaixo. Mas, adiante.
Agora (só agora?) dizem que a situação da Grécia é uma questão política, pois que, após o tão malfadado referendo, adoptou postura menos radical e reformulou sua proposta, cedendo a algumas exigências que levam a mais austeridade e, esbarrou numa Europa que não quer entender o que até o FMI já concluiu: a dívida grega não é sustentável.
Para a Alemanha, Suécia, Finlândia e Dinamarca: negociação = não fazer cedências.
Os princípios que levaram à união da Europa e que pretendiam promover o bem-estar de seus povos baseado na solidariedade parece esquecido.
Por sua vez, a França tem sido aliada da Grécia em busca de uma solução cabal.
Até que ponto não será este apoio, prejudicial para a Grécia, pois que, neste sábado, o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis afirmava que a "Alemanha queria a saída do seu país da união monetária para intimidar a França e a fazer aceitar o seu modelo de uma zona euro disciplinar". (fonte)
Até que ponto não será este apoio, prejudicial para a Grécia, pois que, neste sábado, o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis afirmava que a "Alemanha queria a saída do seu país da união monetária para intimidar a França e a fazer aceitar o seu modelo de uma zona euro disciplinar". (fonte)
Que interesses calados se escondem na intransigência?
Em Fevereiro deste ano, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker admitia que "pecou-se contra a dignidade dos cidadãos de Portugal, Grécia e Irlanda".
E acrescentou que "era preciso aprender lições e não cometer os mesmos erros".
Agora, sente-se traído porque, afinal, a Grécia não se governa apenas de "amor".
Drummond, se cá estivesse, diria: "E agora, Grécia?"
11/07/15
O coqueiro do quintal
Quando eu era pequena tive a felicidade de viver numa casa com quintal, onde havia dois coqueiros e também uma goiabeira que dava umas goiabas doces, de que hoje, passados mais de trinta anos, ainda guardo o sabor algures, nas minhas papilas e no meu coração.
De tempos a tempos, ia lá um homem capinar o quintal e, ao fim do trabalho, trepava ao cimo dos coqueiros a pegar os cocos. Levava uns quantos e deixava-nos alguns - eram mais os que levava, do que os que deixava, pois minha mãe não tinha grande paciência para ralar o coco e, o homem, naquele sorriso largo, agradecia.
Eu, depois mais crescida, era quem ralava o coco para que minha mãe fizesse a cocada que o homem de sorriso largo lhe ensinara a fazer, que, segundo ele, era tal e qual a cocada que a esposa fazia.
Na maior parte das vezes, eu ralava o coco e ralava os dedos também, mas nada me desmotivava do trabalho, pois a recompensa que me aguardava valia o esforço. E nem preciso dizer que não resistia sem abocanhar um punhado do coco acabadinho de ralar, porque não deve haver no mundo quem se dedique à tarefa de ralar coco, sem encher a boca com essa delícia sumarenta.
Depois do trabalho feito, pegava um pedaço de coco partido, ainda colado à casca dura e, sentada num canto do jardim, lá ficava eu, a roer aquele maravilhoso fruto branco, da cor da neve. Mas já com o nariz apontado ao cheiro de coco doce a chegar-me da cozinha - ah, coisa boa, que é a vida de criança!
Na maior parte das vezes, eu ralava o coco e ralava os dedos também, mas nada me desmotivava do trabalho, pois a recompensa que me aguardava valia o esforço. E nem preciso dizer que não resistia sem abocanhar um punhado do coco acabadinho de ralar, porque não deve haver no mundo quem se dedique à tarefa de ralar coco, sem encher a boca com essa delícia sumarenta.
Depois do trabalho feito, pegava um pedaço de coco partido, ainda colado à casca dura e, sentada num canto do jardim, lá ficava eu, a roer aquele maravilhoso fruto branco, da cor da neve. Mas já com o nariz apontado ao cheiro de coco doce a chegar-me da cozinha - ah, coisa boa, que é a vida de criança!
*Já experimentei comprar coco aqui. Mas deixei-me disso, porque o coco que a gente compra aqui em Portugal, não é para quem já comeu coco acabado de apanhar no coqueiro. O coco que nos chega aqui, parece que perdeu metade da água e do sabor no caminho da viagem - é que nem café requentado: é, mas não é.
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