13/08/15

Essas contas erradas...



Pelas minhas contas, há cerca de dois anos, ou talvez três, eu tinha 25 anos.
Há pouco mais de meia dúzia de anos, era eu uma menina.
Ainda lembro, como se fosse ontem!, de pular o muro, de trepar à goiabeira lá do quintal. Aqui não há goiabeiras. Acho que foi por essa razão que me deixei de trepar às árvores…
Ainda no outro dia entrei nos 40…
Fazia planos.
Corrigia as contas feitas de cabeça, a fim de se ajustarem às vontades por satisfazer e aos sonhos a nascerem com a intensidade do fogo da juventude, que ainda me aquecia as guelras.
Não corria atrás do tempo, porque ainda o julgava eterno e todo meu.
Amanhã faço 51?
Penso que me perdi nas contas.










26/07/15

Quando Agosto chegar




Quando Agosto chegar,
há-de vir cheio de sorrisos,
beijos, abraços
e vozes sobrepostas, em alarido.
Pedirá o tilintar dos brindes.
Anunciará conquistas.
Trará a fé recuperada nas poeiras e,
cobrará promessas.
Ordenará ao vento para que
levante o calor da tarde
e deixará que se divirta,
a roubar o sossego ao espanta-espíritos
que mantenho na varanda.
Talvez o vento não espante os espíritos alheios,
mas, deixará, decerto,
o meu em sobressalto,
ainda à espera de te ver a entrar.
Quando Agosto chegar
trará o fogo
para aquecer as areias
que me hão-de queimar os pés
e atiçar a paixão.
Agosto das horas compridas
trará as memórias só minhas e tuas,
de dedos entrelaçados
e dos beijos salgados
àquela hora da tarde
em que o sol lambe o mar.



18/07/15

Deixa...




Trabalho é o que te espera,
pois que cultivar e gerar é a tua herança.
Deixar que a terra germine a semente,
permitir às entranhas que gerem um filho
que leve teu sangue para além de ti.
Pois dita a lei que perpetues a espécie.
Mas não ouses crer
que o filho de ti gerado
caminhará à sombra de teus passos.
É preciso que lhe soltes as amarras
para que navegue seu próprio mar,
para que lavre sua própria terra,
algures, longe
do teu protector regaço.
É preciso
que seu coração conheça as lágrimas
e seus olhos
alcancem vistas por ti desconhecidas,
que seus gritos
ecoem em altos montes,
que seus pés trilhem
por caminhos ainda não percorridos.
Não te lamentes.
Deixa que corra;
deixa que ame;
deixa que sofra;
deixa que erga castelos
que outros venham a destruir.
A glória não nasce em casa fechada.
Que se abram as portas e portões,
que se aponte ao horizonte.
Que se ouse perder
para ganhar.
É tempo de ver partir.