23/10/10

Ousei

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Ousei sem medo dos preconceitos, dos receios ou das controvérsias.

Como mulher que sou, não me intimida apreciar e elogiar uma outra que seja mulher com toda a sua exuberância e sensualidade.

Sou mulher bem resolvida. Sem dúvidas, nada me impede de olhar à volta e admirar.

Porque eu sou admiradora do BELO, acima de tudo.

E não me disponho a calar o que agracia meus olhos!



Por outro lado, e como não poderia deixar de ser, nenhuma forma de preconceito, seja ele qual for, me rege.

Mas para que assim seja, há que existir a luta connosco e com o que nos é incutido logo de início, quando ainda a engatinhar, descobrimos o mundo à nossa volta.

E há que ter a coragem para mostrar aos outros que sentimos e julgamos de forma diferente e fincar pé.

Ser genuinamente um liberal sem preconceitos não é fácil numa sociedade crítica e hipócrita. Há que saber se posicionar e aguentar os estilhaços que vêm de onde se espera e mesmo de onde nem se supõe possível.



15/09/10

DESCULPEM, mas dispo-me das leis que não fiz



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Não me levem a mal
os que pensam,
os que acham,
os que julgam,
os que pressupõem,
os que se acham
no direito ou na posição,
ou sem posição e a torto…
de me julgar,
de me censurar,
de me caluniar
em vão.

Eu não sou mulher
de se reter
por pressuposições alheias.
Não me intimida o olhar
de quem nada me diz.

Não me arreiam
as costas
por calúnias vãs.
Não perco o rumo
por opiniões que não peço.

Se é liberdade o que anseio,
dispo-me das leis
que não fiz.
Se é ar
que meu corpo deseja,
porque crês
que to exponho a ti?
Porque te gabas
que to ofereço,
se é a mim, apenas,
que devo o dízimo
de meus pertences?

Tolos, vós que julgais
poder minha alma
aprisionar.

Sou alma livre
que faz correr
o corpo
pelas terras recém-aradas,
pelas areias lavadas
pelo mar,
que como eu,
homem não doma.

Sou alma livre
que come o que quer,
tem porque quer
nega porque
tem a força
do NÃO.

Desculpem-me,
mas sou para mim.
Não sou
para mais ninguém.


01/08/10

Eu vim de longe


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Eu vim de longe
há tanto tempo,
que nem bem sei
se vim,
ou se sonhei.
Terá sido sonho
ter vindo de onde vim?
Ter vivido o que vivi?
Ter visto o que vi?
Terá sido nesta
ou em outra era?
Ou será apenas…
doce quimera?
Terei deveras conhecido
o que nunca vejo?
Ah, doce devaneio!
Se a mera palavra
não atesta a outrem
meu real viver,
pois se nem punhado
trago na mão,
do que
vi,
ouvi,
cheirei
da vida
que já nem eu sei
se vivi
ou se sonhei.
Que gritem então,
essas vozes
que outrora amei.
Que me reencontre
esse céu
que me abrigou.
Que me chegue
às arfantes narinas
o cheiro quente
da terra que pisei.
E que possam, então,
austeros provar
a estes
que desdenham
de minha prosa,
que um dia
fui vossa!
Que não foi sonho
meu viver,
que não foi delírio
meu distante amar.