26/03/14

Vontade louca


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E se um dia te der uma vontade louca de gritar?
Gritar bem alto.
Tão alto quanto te apetecer!
E pôr a boca no mundo, falar o que sair do mais profundo do teu querer!
E falar, falar, falar!
Sem papas na língua!
E gritar até cansar!

E aí…Nesse momento, tu te apercebes de que não tens ninguém que te ouça.

Não há quem esteja interessado em te ouvir.
Não há, sequer, alguém que, ainda que contrafeito, esteja aí à mão, para te ouvir!
Ah! Isso é o pior dos piores!
Isso é terrível!
Isso é a SOLIDÃO ESCANCARADA NA TUA FUÇA!
Parece-te impossível?
Mas digo-te: é verdade!
E não venhas cá com o argumento de que passaste uma vida inteira a ouvir o que tinham para te dizer e, ainda o que não te queriam dizer a ti, mas desaba(fa)ram em ti…

E daí?

De que te vale tudo isso agora?
QUEM tu tens aí, ao teu lado, para te ouvir?
Pois a verdade, meu amigo, é que nada disso tem valor agora.
Queres falar?
Queres gritar?
Queres pôr a boca no mundo?
Problema teu!
Pois então: fala pra’í!

25/03/14

Apetece-me!



Hoje não me apetece ser gente.
Não me apetece pensar nem reflectir sobre o que quer que seja.
Apetece-me apenas sentar meu corpo cansado em frente ao mar.
E que nada mais se intrometa entre nós.
Que nada mais ocupe meu campo de visão.
Que eu veja somente o azul.
E que eu me sinta, então, fluidificar nesse azul.
Que, enfim, eu seja mar.
Que eu experimente a liberdade e a força dessa imensidão azul.
Que eu vá aonde as ondas me levarem.



20/03/14

De volta

O blogue já nasceu há algum tempo, nasceu em cima de uma bicicleta.
Não uma dessas que podem ir até onde houver força para pedalar e a vontade pedir, dessas que podem subir montanhas e descer ladeiras a pique numa corrida desenfreada de dar gosto e a volta à barriga.
Não, a nossa bicicleta não é dessas, mas sim uma máquina ergométrica, usada em fisioterapia ou fitness, de pés bem assentes no chão, não nos vá dar ganas de sair pela janela fora pedalando sem parar.

Na hora de escolher o nome para baptizar o espaço e, atendendo a que, aqui em casa, quando as cabecinhas se juntam a pensar, por vezes até conseguem pensar mais e melhor - ou pelo menos é assim que gostamos de acreditar - decidimos em conjunto, depois de considerarmos que seria interessante juntar a filosofia de porta de botequim a que me propunha, àquela que lhe serviu de mote: a bicicleta, daí resultando o filosofando em cima da bicicleta.

Porém, o tempo passou.

A bicicleta tinha os pés bem assentes no chão, mas talvez os meus não estivessem tão firmes.
Sofre-se rasteiras e dá-se de fuças no chão.
Mas quando se cai, há que levantar.
Aliás, é a cair que se aprende a levantar, como bem diz Mafalda veiga:

«...é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser  restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração»

A vida mudou.
Impõe-se que mudemos também.

Vai daí:
 vida nova  ► gente nova  ► blogue de cara nova e bem lavadinha, que é o que se quer.

isso tudo pede
nome novo

Um nome que passe boas energias, que é o que se precisa.

Para falar a verdade, há muita coisa que me dá energia. Mas o sol, esse sol maravilhoso que me aquece a pele, que me revigora a alma, que me traz a vontade de espreguiçar e por o pé porta fora e caminhar como se estivesse lado a lado com ele, como velhos amigos, é o meu melhor energizante e o que me faz renascer a cada dia.


Talvez a pretensão seja muita, mas o que eu quero mesmo é seguir no lado do caminho em que o sol brilhar.
Sempre! Do lado do sol.





P.S.: A bicicleta, essa ainda cá está e continua necessária para as pedaladas.