09/05/14

Quando um dia



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Quando um dia chegar em que eu já não exista mais ao teu lado, quando eu já não respirar mais este ar, quando os meus olhos não enxergarem mais, quando a minha boca destravada finalmente se calar e os meus ouvidos sempre atentos não ouvirem…

Quando eu, por fim, não viver mais: recorda-me.


Eu quero existir nos teus pensamentos, na tua memória.
Por isso quero que memorizes cada um dos nossos momentos…
Quero ver
através dos teus olhos. 
Quero falar por tua boca.

Quero que tu não deixes que minha vida se perca na morte.
Quando tu olhares as coisas que eu te mostrei e te dei a conhecer,
quando admirares as paisagens mais belas
ou as cenas comuns da vida que eu te ensinei a apreciar,
eu estarei ‘vendo’!

Quando tu falares com outros sobre temas que eu contigo falei,
ou explicares aquilo que te foi explicado por mim,
eu ‘estarei falando’!

Quando ouvires as mesmas músicas que ouvimos juntas,
ou parares para saborear o canto da natureza que eu fartei-me de te querer provar ser a mais bela orquestra…
Aí, eu estarei ‘ouvindo’!

Quando tu passares adiante tudo o que eu conheci e passei a ti, terá então, valido a pena.
Quando tu aplicares em coisas práticas, aquilo que te ensinei ao longo dos anos…
quando falares em mim,
quando pensares em mim…
eu viverei!  


novembro/1990


13/04/14

Quero

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Quero mostrar-te
o pôr-do-sol,
a lua…
Quero dar-te a conhecer
o canto dos passarinhos.
Quero ensinar-te a vida
no que de belo ela tem.
Quero mostrar-te como fazer.

Quero…
Porque gosto
de mostrar-te as coisas!
Porque gosto
de ensinar-te coisas novas.
Adoro
quando me perguntas.

Quando vejo algo que me cativa,
é em ti que eu penso.
Penso no quanto que gostaria
de to poder mostrar.

Quando ouço os pássaros a cantar,
quando ouço uma música bonita,
é em ti que eu penso.
Adoraria
que estivesses comigo
naquele instante
a desfrutar do mesmo prazer,
e podermos curtir juntas
o mesmo momento.

Quando a luz radiante
do sol
me enche os olhos,
lembro-me que
essa mesma luz te ilumina, 
mesmo estando tu longe de mim…




05/04/14

Sedução

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Hoje ao sentir-te perto de mim, assim tão perto, quase que a se tocarem nossos rostos…obriguei-me à serenidade, para que não transparecesse a emoção do momento.

Mas podia sentir tua respiração quase que imperceptível, qual brisa suave, a soprar-me no rosto.
A provocar-me um arrepio que me percorreu toda a coluna numa rapidez, como se de uma descarga eléctrica se tratasse.
Ah… quisera eu que se prolongasse no tempo tal momento. Mas de tão fugaz, restaria, por certo, a dúvida de o ter vivido, não fosse guardar ainda teu cheiro másculo na memória.

Quisera eu saber que sensação te provocara tanta proximidade…
Quisera eu saber se aquela respiração compassada e contida que te sentia era o respirar do meu perfume.
Com certeza o sentias. Seria impossível que assim não fosse.
Inebriei-te?
Seria essa a razão de tanta demora, que me pareceu eternidade, antes que proferisses palavra?

Quisera eu saber se também te provocara um arrepio pela coluna, o sentir-me tão próxima de ti, a milímetros do teu desejo.
Porque te limitaste ao “até amanhã” e te contentaste com o meu “até à próxima”?
E de “até amanhã” em “até amanhã”, permitimos que os anos nos mantenham afastados…
Acaso esperavas de mim menos comedimento?

Infeliz de ti, que me tomas por outra.
Não serei eu de tal casta, mas sim daquela a que pertencem as mulheres que anseiam o reconhecimento da conquista.
Pois que não me limito a ser oferta. Mera amostra grátis, de um qualquer expositor.

Mesmo que me corroa a ânsia de teu toque, manter-me-ei serena.
Mesmo que o desejo de respirar teu cheiro, de tocar com meu corpo tua pele que meus olhos inebria, mesmo que a vontade de ter tuas mãos a me percorrer as costas arrepiadas me enlouqueça a razão…mesmo assim, manter-me-ei serena.

Porquê?

Porque mais do que desejar-te a ti, desejo eu a volúpia deste roçar ao de leve, deste respirar quase inaudível, mas que arrepia os sentidos…
Desejo o desejo que a carne não sacia.
Chama-me louca!
Pouco importa.
Este é o verdadeiro prazer, digo-te eu.