Será, amor,
que são teus olhos
que espelham os meus?
Ou são os meus
o traduzir dos teus?
Será o teu amor
que dá alento
à minha vida?
Ou serei eu, deveras,
a linfa que te alimenta?
Deixa ao mundo a dúvida.
Corre a cortina,
tranca a porta,
que a mesa está posta.
É certo que eu sou o miolo
e tu a côdea
do mesmo pão que nos sacia.

