01/04/16

O que será?


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Será, amor,
que são teus olhos
que espelham os meus?
Ou são os meus
o traduzir dos teus?

Será o teu amor
que dá alento
à minha vida?
Ou serei eu, deveras,
a linfa que te alimenta?

Deixa ao mundo a dúvida.
Corre a cortina,
tranca a porta,
que a mesa está posta.
É certo que eu sou o miolo
e tu a côdea
do mesmo pão que nos sacia.



28/03/16

A louca




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Ela ainda procura um não sei o quê na diferença.
Busca por aquele que sem ser se afigura…
Conta que conheceu o amor na malquerença,
que no rosto do anjo avistou o breu,
diz que do abismo resgatou a cura.
Crê que existe, algures, num recanto,
vestida de penumbra, a alvura que lhe fugiu.
Assevera que a carência alimenta mutantes
e segreda-me que alberga demónios.
Assegura que toda a vida
dura o tempo dum instante.
Ergue preces às entranhas do céu,
ainda chora pelo anjo que partiu





21/03/16

A primeira vez


 A sensação que ficou quando o conheceu,
foi de que ele era como um bolo de
chocolate acabado de sair do forno: um tentador aroma
a tomar conta do
espaço e dos desejos e
a efectiva incapacidade de não lhe dar uma
trinca ainda quente.

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